terça-feira, 6 de novembro de 2018

Ouça seu filho: talvez ele só precise de pequenas mudanças



Como eu já contei por aqui, a minha primeira formação, antes do Design de Interiores, foi a Psicologia. E muito do que aprendi como psicóloga me é útil no meu cotidiano como decoradora. Um conceito da Psicologia que sempre emprego no meu trabalho é a queixa latente, que é aquela queixa não manifestada. Uma dor que o cliente revela nas entrelinhas que, eventualmente, nem ele reconhece que está ali. E para conseguir acessar essa queixa é preciso praticar uma escuta afetiva. Ou seja, ouvir com o coração.

Isso se aplica também na nossa relação com nossos filhos. É muito comum que as crianças não expressem suas reais queixas mas elas estão ali, pulsando. Hoje, iremos focar em algumas queixas que podem ser solucionadas com simples mudanças em casa.

Quer um exemplo clássico? O filho que não consegue deixar a cama dos pais. Quem nunca soube de uma história (ou mesmo a vivenciou dentro da própria casa) da criança que só deixou o quarto dos pais quando chegou um irmãozinho mais novo? Já pararam para pensar no quanto isso pode ser traumático? O ideal é que essa transição seja feita de forma suave e que a criança tenha motivações para ficar em seu próprio quartinho. A queixa latente pode, inclusive ser essa: o quarto da criança não estar tão acolhedor e aconchegante para que ela durma ali. Mas o que fazer nesse caso? Uma ideia muito simples é ter um abajur ou luminária, que permita criar uma cena agradável para a chegada do sono. Não adianta impor que a criança deve dormir às 21h e, nesse horário, o ambiente estar na maior agitação e claridade. É interessante também criar pequenos rituais noturnos. Que tal, por exemplo, colocar livrinhos ao redor da cama e contar histórias antes de dormir? Ou colocar uma musiquinha tranquila para acalmar o pequeno? A cama também é fundamental nesse processo. A criança precisa se sentir segura e o que não faltam no mercado são opções de camas com grandes ou baixinhas, ao estilo montessoriano.

Outra dificuldade com a qual muitos pais se depara é a falta de concentração dos pequenos para estudar e realizar as tarefas de casa. Será que isso não é falta de um ambiente de estudos adequado? Num outro artigo aqui do site já demos dicas sobre todos os fatores que devem ser considerados na hora de criar um cantinho de estudos estimulante e confortável. Vai desde a escolha da cadeira até a iluminação do ambiente.

Outra questão: muitas vezes as crianças se encontram estressadas e agitadas e isso pode ser excesso de eletrônicos e falta de atividades que mexam o corpo. Mesmo para quem mora em apartamento (a realidade da maioria das famílias) é importante criar espaços e situações que estimulem a criança a brincar com outras coisas além dos tabletes e computadores. Uma boa ideia é reinventar um espaço. Transformar, por exemplo, um quarto de empregada ou uma varanda, numa brinquedoteca temporária.

As ideias são muitas. O importante é escutar seu filho com o coração – para ouvir o que não é dito -  e, então, partir para a ação.



FABIANA VISACRO
O interesse por pessoas levou Fabiana Visacro a se formar em psicologia. Seu interesse pela maneira como as pessoas vivem resultou em sua segunda graduação: o design de interiores. Foi assim, com o olhar totalmente voltado para o humano, que construiu uma carreira baseada na qualidade de vida e na relação das pessoas com suas moradas. Assim nasceu a linha de trabalho à qual Fabi chama de “Decoração Afetiva”, algo que se tornou ainda mais forte quando veio a experiência da maternidade. Hoje, Fabi concilia a carreira com uma vida gostosa na casa que ela mesma projetou, em Macacos, onde vive com o marido e as filhas, Gabi e Bebela.

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