quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Meu filho é mais feliz nos meus braços

Sei que fomos criadas com aquela velha máxima de não criarmos filhos mimados, para isso...

- Deixe chorar! Ninguém nunca morreu por isso.
- Você vai acostumá-lo mal.
- Ele tem que entender que vida não funciona assim.
- Ele não pode ter tudo o que quer na hora que quer.

E por aí vai.

Eu sempre tive medo disso. Medo de criar filhos frágeis demais, que quando crescessem não saberiam dar um passo além sozinhos, por conta própria. Confesso que algumas vezes, tomada pelo cansaço, às vezes isso me passa pela cabeça, de que estou fazendo tudo errado em sempre estar por perto para salvar.

Eis o desafio da vez: encontrar o equilíbrio entre liberdade, independência e criação com apego.

A verdade, minha gente, é que meu filho é muito mais feliz no meu colo, dentro deste meu ninho muitas vezes imperfeito, desajeitado e extremamente cansado. Eu, portanto, também sou feliz assim.

Sempre achei tão piegas a frase - me desculpe se você foi o autor - "não é o berço que tem espinho, é seu colo que tem amor". Como acho isso chato! Ter que dar colo, o tempo todo, sem levar em conta o nosso amor próprio, nossa sanidade, saúde, grau de desespero ou cansaço. Sejamos sinceras, vai... Cansa, realmente. Romantizar todo este sacrifício tortura tantas mães, nos tira o sono, nos perturba e desnorteia. Nos sentimos péssimas mães ao compararmos com mulheres que dizem ter ficado a noite toda acordadas e mesmo assim levantarem às 6h para malhar. Mulheres que dizem estar tudo bem dar conta de tudo com perfeição, quando no auge dos meus 31 anos e quatros gestações, eu sei que não está. Por favor, mães, não façam isso umas com as outras. Compartilhem suas vitórias sim, mas não esqueçam de contar o quanto caminharam para chegar até ali. Contar suas derrotas, seu cansaço e seus limites não mostram que você é pior, mas que é humana. Limitada, às vezes com medo, outras com a força e garra de um tigre. Outras mães verão que suas limitações são parecidas, irão se identificar, se unir, procurar soluções em conjunto, discutir o assunto, acolherem umas às outras.

Realmente, nesta minha saga do colo, eu preciso dá-lo. Eis meu último bebê, minhas últimas dobrinhas e bafinho de leite. Meu último olhar admirado enquanto mama, meu aconchego e sono da tarde compartilhado. Eu preciso aproveitar, porque tudo irá passar e só agora descobri o quanto realmente é veloz o tempo, principalmente o perdido tentando conquistar uma perfeição inventada por tantas outras mães que na verdade, sentem medo de assumir o quanto estão exaustas.

Se meu filho hoje está mais feliz nos meus braços, eu sou feliz também. E não, isso não é nenhuma romantização da minha parte. Já passei da idade e do tempo para isso. Só quero aproveitar cada segundo que me resta antes que ele cresça e não caiba mais nos meus braços.

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