sábado, 1 de setembro de 2018

Sou uma mãe exausta


Eu sei que você está cansada.

Sei que você não dorme direito mais e que falar para deixar seu bebê chorando não é um conselho que você se sente apta a seguir ou que vai te ajudar.

Sei que suas costas doem e você tem cheiro de leite novo e de leite azedo também. Tá difícil se reconhecer no meio de tantas coisas que o bebê precisa. Parece egoísmo pensar em você agora.

Sei que tudo parece lindo, colorido e ao mesmo tempo tão cinza. Ninguém te fala que é tão intenso, que você vai conseguir se sentir alegre e triste na mesma proporção. E todo mundo espera que você esteja só feliz, não cabe ter tristeza ali, mas tem!

Sei que você chora, vezes de frustração, vezes de alegria quase sempre de desespero. Não dá pra entender como cabem sentimentos tão diversos. Não dá para compreender como a gente passa a detestar o companheiro(a) por ‘deslizes’ que antes seriam banais, como te deixar acordada com o bebê enquanto ele(a) dorme copiosamente. Tá difícil perdoar as pessoas que dormem. Dormir parece um luxo.


Ouvi o Psicologo Alexandre Coimbra dizer em uma palestra que uma mulher passa 1000 dias sem dormir direito nos primeiros anos do filho. A privação de sono é uma das formas mais efetivas de tortura que existem. É preciso que quem esteja do seu lado saiba que você está passando por isso. É preciso que alguém olhe para você plenamente e veja por trás das olheiras, do mal humor aparente. Veja essa mulher que carrega o lindo bebê sorridente, essa mulher que passou pela ponte da maternidade e não é mais a mesma.
Essa pessoa que está tentando entender quem ela é agora.

Olhe para ela no espelho, olhe para ela ao seu lado. Abrace-a.
É impossível ser a mesma.
É impossível não morrer um pouco.
É preciso se redescobrir. E isso leva tempo.
Seja paciente com você, não se cobre tanto. Abrace a nova mulher que está nascendo.

“Por trás de um bebê sorridente, há uma mãe exausta”.



Flavia Carvalho 

Flavia é mineira e desde cedo nutriu dois sonhos e paixões: ser mãe e escrever.
A maternidade, como um sonho, aconteceu em outubro de 2015, quando descobriu a gravidez do “pacotinho” Rafael que veio ao mundo dia 1º de junho de 2016.

Entre seu trabalho (é formada em Sistemas e atua na área desde 2008) e os cuidados com o Rafa, ela escreve no “Uai,Mãe” sobre os mais variados assuntos. Sempre com o bom humor de quem, se não tem tanta experiência na maternidade, se desdobra na criatividade! 


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