terça-feira, 18 de setembro de 2018

Meu universo particular

Não, hoje eu não quero saber dos horários, das obrigações sociais, de quem tenho que convidar ou receber bem vestidinha com uma bela mesa de café da tarde só para agradar Deus-sabe-quem.

Nem quero ter a obrigação de sorrir para câmera nenhuma para agradar parentes e "amigos" que insistem em registrar as visitas longas e nada confortáveis, recheadas de muito pitaco e pouca empatia.

Deixa as minhas olheiras em paz, meu peso que, sinceramente, nem estou preocupada se voltará ao normal ou não. Me deixa quentinha aqui com minha camisola de flanela, eu só quero paz.

Deixa o silêncio reinar, deixa o cheirinho do meu café particular perfumar a casa. Me deixa comer sentada na cama enquanto amamento e deixo cair os farelos por todo o canto. Me deixa em paz que este silêncio me alimenta a alma, me aquieta o coração diante de um turbilhão que acontece dentro de mim.

Sei que a voz que reluto tanto para soltar, quando solta não quer mais calar, é sempre três tons acima do normal. Eu juro, não é minha intensão ser chata, histérica ou louca. Não é minha intensão chorar de tanto rir, segundos depois rir de nervoso e me desabar no choro.

Eu gostaria muito de sentir vontade de sair, ver gente, conversar e ser socialmente tolerável, mas não sou. E preciso não estar. Essa melancolia um dia vai passar e para passar, tenho que mergulhar por completo e me libertar da perfeição que alguns tentam me enfiar guela abaixo.

Faz parte de mim agora esta nova eu, tenho que me aceitar, me redescobrir mãe, me reinventar mulher e para isso, só estes momentos a sós comigo mesma, este meu universo particular para curar e ensinar qual caminho devo seguir.

Portanto, faça-me um favor: Me deixe aqui quietinha porque ouvindo minha respiração ritmada com o filho recém chegado que acabou de adormecer deitado no meu peito eu silencio um pouco esta minha loucura interna, eu ouço com um pouco mais de atenção meu coração.

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