segunda-feira, 17 de setembro de 2018

CRIANÇAS E BRINCAR DE ARMAS: OS PAIS DEVEM SE PREOCUPAR?

ATIREI O PAU NO GATO

Atirei o pau no gato, tô
Mas o gato, tô
Não morreu, reu, reu

Dona Chica, cá
‘Dmirou-se, se
Do berrô, do berrô
Que o gato deu!

Miau!!!

Meu sobrinho fez seis anos em 24/08 passado. Uma festinha para quinze amiguinhos da escola foi organizada com o carinho e dedicação esperados. A decoração simples e criativa atendeu em cheio o público alvo, as crianças adoraram. As atividades e brincadeiras logo foram iniciadas e, pra mais tarde, um teatrinho de fantoches estava programado. A festa teve seu início como previsto, crianças brincando, rindo e correndo de um lado pro outro.  Até que um onda de agressividade baixou sobre o ambiente e as criança entraram num processo de brincar de quebrar.  Os pais encapsulados em suas bolhas tecnológicas não viram, ou fizeram questão de não ver, que suas crianças, sem razão aparente, deram início a uma uma sucessão de ações deliberadamente destrutivas. O espetáculo que estava pra começar foi a vítima mais atingida. Sua estrutura de marionetes quase veio a baixo a ponto da equipe do teatrinho desmontar o palco rapidamente e chamar a atenção das crianças que simplesmente ignoravam.
Talvez tenha sido apenas coincidência, mas o fato é que meu sobrinho, João Gabriel, ganhou entre 15 presentes de aniversário, 15 armas de brinquedo. Minha cunhada ficou chocada com o desfecho da festinha, afinal eram de um lado, adultos desconectados do mundo real e do outro, um grupo de crianças que por alguma razão achou que o divertido seria quebrar, estragar o que a festa oferecia pra eles. Aí fica a pergunta: a que se deve isso?
Armas e o fomento a violência. Bom, sou pai de três filhos e pedagogo. É claro que somente isso não me qualifica, mas me deixa numa posição confortável para afirmar que crianças saudáveis ​​são facilmente seduzidas por brincadeiras violentas como polícia e ladrão, índios, guerras, lutas e tantas outras. Quem não se lembra do cruel estilingue?
Podemos, levar em consideração toda mídia e tecnologia que disponibiliza acesso a games, filmes e séries que frequentemente envolvem tiroteios e lutas. Então, não é surpresa que as crianças imitem a violência que observam.  Mas isso não significa que teremos um geração de sociopatas.
Brincar de armas e lutas é completamente normal. É comum os meninos brincarem em graus variados de agressividade. Por isso, a menos que seu filho tenha dado um passo além da conta e tenha machucado um colega intencionalmente, não há com que se preocupar., são apenas fases que devem ser acompanhadas de perto e tratadas com atenção e carinho.
Então, por que as crianças, especialmente os meninos, são atraídas por armas? É uma pergunta complicada, sem resposta fácil. Mas, uma resposta simples que me vem à mente é que as armas dão às crianças, a sensação de estarem à frente, sem que ninguém as controle. Veja, as crianças raramente estão no controle, sempre tem alguém fazendo sombra. São seus pais, professores, irmãos mais velhos e até vizinhos que exercem autoridade sobre eles. Fingir disparar uma arma satisfaz o desejo da criança de controlar alguma coisa.
Embora eu desencoraje fortemente que crianças recebam armas de brinquedo, eu também sugiro que não tentem  eliminar completamente esse objeto da vida delas. Se aparecer, o ideal é tratar o assunto com clareza e limites. O motivo é simples, isso é quase impossível! A imaginação das crianças é simplesmente forte demais para limitar e, por favor, não tentem: Um cabo de vassoura, uma colher de pau, um galho de árvore, na cabecinha fértil de criança, qualquer coisa pode virar uma espada ou uma arma de mentirinha. Ainda bem, viu!
Pesquisando na internet passei por uma educadora canadense, eu acho, que sugere a brincadeira de espadas. Ela explica que quando as crianças se envolvem em brincadeiras imaginativas, elas estão realmente contando histórias. Brincar de espada implica em uma certa nobreza. É que as histórias ligadas a lutas de espadas tem como pano de fundo atitudes nobres, como salvar a princesa, lutar por um ideal e outras razões que consideramos justificáveis. Já as histórias que possuem armas são mais agressivas.
De qualquer forma, o mais importante, é ao presenciar uma criança brincando de luta, espada ou qualquer brincadeira em que a primeira vista seja violenta,  pergunte a elas como é a brincadeira, converse, levante questões e se surpreendam-se  com suas respostas.
Crianças sempre tem muito a nos ensinar, não crie uma barreira achando que ela é uma página em branco e que você pode escrever tudo o que quiser que ela aceita. Não, não é assim. Escute, reflita e oriente se for preciso.
 Abraços e até a próxima.



PAULO CANARIM
Sou Paulo Canarim pai do Vinicius, Mariah e Nathália, pedagogo, contista e executivo do Nautilos Marketing Digital. 

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