terça-feira, 12 de junho de 2018

Era para ser uma declaração de amor

A bolsa estourou. A calma enfim me invadiu. Era chegada a hora. A hora que eu tanto esperava.

A  chegada de um filho é ao mesmo tempo desesperadora e ansiosamente aguardada. Estava calma para te acalmar. Disse que ficaria bem porque sabia que era este teu medo. Pela primeira vez na vida, depois de quatro gestações e um aborto você não poderia ficar ao meu lado, segurar minha mão, fazer piadinhas com os médicos enquanto faziam o parto, ouvir o chorinho e carregar no colo antes de mim. Pela primeira vez, você não conseguiria se apresentar:

- Oi, é o papai! - Como você sempre fez. 

E não seria dos seus braços que eu pegaria nosso filho pela primeira vez. Os apelidos ridículos que você inventa eu só ouviria bem mais tarde. E riria secretamente, depois de brigar contigo, é claro. Essa minha braveza te mata de amor, não é mesmo? Não diga que não! 

Naquele dia eu desejei te ter por perto, senti falta das suas mãos nos meus cabelos, massageando minhas costas, dizendo que estava linda, mesmo com os quilinhos a mais que você insiste em não ver. 

Ali sozinha na sala de espera, todos olhavam para mim. Deviam se perguntar porque eu estava sozinha, onde estaria quem me amasse. A ajuda estava a caminho, mas os seus braços eu não pude ter para me esconder, apartar um pouco da dor, de todas as dores. Você sempre consegue apartar...

Prometa-me nunca mais ir embora, ok? Prometa-me estar por perto, sempre por perto! Nem ouse furar sua promessa! 

Não esqueça dessa minha braveza. Ela te mata de amor, sim, porém posso te matar literalmente, viu?
E isso era para ser uma declaração de amor! 

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