quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ainda não aprendi o "até logo", nem que seja só até amanhã de manhã...


Ensinei desde sempre meus filhos a terem autonomia. 


Ensinei a caminharem sozinhos, a dar conta do que quer que fosse sem precisar de mais ninguém. 
Claro, sempre estive aqui, ao lado. Sempre fui a sombra logo atrás sobrepondo muita vezes a sombra deles na hora da angústia, do colo pós queda, na hora da raiva aflorada para acalmar o coração.

Custei a entender essa lição, de que deixar os joelhos ralarem de vez em quando não me fazia uma mãe ausente ou displicente, mas alguém que criava os filhos para serem pessoas fortes, crianças que entendiam o tamanho da importância de se levantarem do chão e seguirem em frente. Sempre quis que eles entendessem que isso faz parte da vida. Não é motivo de chateação ou vergonha. Afinal, quem nunca caiu? Dá sim para rir dos próprios erros. Dá sim para olhar para frente, sem nem ao menos olhar de lado quem observa seu fracasso, porque isso sempre terá, não é mesmo? Sempre haverá alguém olhando, nos vendo cair, analisando qual será nossa reação, sendo ela positiva ou negativa, o julgamento sempre vem. Então ensinei - e continuarei a ensinar - a olharem para si mesmos, para os que os amam e para frente, sempre em frente. 

Expliquei que apesar de tudo, todos precisam de espaço e que ele fosse respeitado para que o seu também fosse sagrado. Mostrei na prática que chorar não é motivo de vergonha, mas uma prova de que às vezes os sentimentos são fortes demais para ficarem guardados no peito. E sim, mamãe e papai também choram e precisam de colo. E eles sempre souberam me dar, que ironia de vida! 

Desde cedo, eles tiveram a cama separada da minha, não que eu ache errado compartilhar espaço e cama, não! Eu apenas não conseguia. Experimenta dormir com uma criança hora chutando suas costelas, hora subindo em cima do seu rosto para você ver... Nunca foi meu forte abrir mão deste meu conforto, pelo mesmo motivo que ensino a respeitarem os sentimentos dos outros, empatia sempre foi meu forte e queria ensinar isso a eles também. 

Suas responsabilidades sempre foram "suas". Do dever de casa ao brinquedo que some por falta de organização, tudo isso serviu de aprendizado para que organizassem suas vidas e cobrassem seu bom resultado, não por mim, porque eu mandei ou gostaria que fizessem assim ou assado, mas porque era importante que se saíssem bem por eles mesmos, por mérito próprio. 

O que afinal ninguém nos explica é que mesmo ensinando que devem caminhar sozinhos, claro, nunca esquecendo o caminho de casa, eu como mãe, nunca aprendi a caminhar sozinha. É na calada da noite, enquanto dormem tranquilos, que invado o quarto, deito junto e compartilho a cama que lutei para que não gostassem. É o cheirinho daquele edredom que me acalma a alma. A respiração ritmada que me aquieta o coração. 

Sim, eu ensinei a terem autonomia, a serem independentes e seguros de si. Mas eu mesma, não consigo seguir em frente. São minha força e coragem. São meu refúgio e segurança. São minha certeza que o dia seguinte será mais leve e feliz. E o que seria de mim, sem este colo para me refugiar? Como olhar para frente, se a visão que mais me dá força está aqui de mãos dadas comigo, pouco abaixo do meu peito, só para ficarem mais pertinho do coração?

É... Ensinei bastante coisa, mas mamãe não aprendeu ainda a lhes deixarem ir. Ainda não aprendi o "até logo", nem que seja só até amanhã de manhã...

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