sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Ele vai crescer... E eu já estou com saudade!


Tô exausta.

Passamos o dia na rua. Teve Bloquinho, teve centro, teve shopping. Teve pastel, teve batata frita e pra fechar a culpa com chave de ouro teve um pirulito dado pela atendente da padaria, que de tão educada, gentil e carinhosa todos os dias, deixei passar.

Tô morta. Uma criança de quase dois anos é um liquidificador sem tampa com vitamina de abacate dentro. E ligado. E ligado no modo turbo.

Você repete duzentas e trinta e oito vezes a mesma suplica, e vai ter que falar mais. Experimentar o mundo é tentador demais.

Pega confete do chão, coloca na boca. Persegue o cãozinho de rua, aquele que você não sabe se morde. Pega brinquedo de outra criança (afinal, os brinquedos dele mesmo não são nada legais).
Corre a praça toda. 4987 vezes em duas horas, deve ser um novo recorde mundial.

Chora porque quer água. Chora por que não quer água mais. Demorou muito e outra coisa do mundo chamou atenção.

A mãe ingênua foi de blusa branca, que agora tem manchas roxas de suco de uva, azuis de confete plus água e verde, melhor não perguntar de que.

Faz a primeira birra publica da vida. Me abaixo para dizer que ele não pode correr para a rua, afinal passam carros e é perigoso. Ele senta no chão, se dobra sobre o próprio corpo e entoa “nãoooo nãoooo nãooo” a plenos pulmões. Nem critico o drama, foi junto do meu dna. Me pego sem saber o que fazer. Espero, converso, acalento. Empatia por saber que ele ainda não sabe lidar com as próprias emoções.

Uma outra mãe mais a frente me olha complacente. É, não é fácil para nenhuma de nós.
Teve choro no carro, desenho animado no celular.

Andou de trenzinho no shopping. Teve ele me contando em sua língua própria como foi andar de trem com o papai.

Teve banho junto, teve abraço e aconchego.

Agora estamos os dois deitados. Ele dorme e sorri pra mim, enquanto eu olho seu rostinho tranquilo e suspiro.

Vai passar.

E eu já estou com saudade.

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