terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Alalaô ôoô ôoô


“ Em fevereiro tem carnaval...” já diria Jorje Ben!

E o que é essa festa pagã tão pulada aqui nas bandas tupiniquins? E como pular com noss@s pequen@s? É uma boa?

A resposta da primeira pergunta é fácil, o wikipédia responde! Mas em suma é uma festa pagã muito antiga, que sofreu diversas mudanças e adaptações e que precede a quaresma.
A resposta para as ouras duas perguntas não existe. Vai depender dos pais e como cada um encara esta festa.

O que sei é que, mais do que uma festa ou feriado, o carnaval é para mim um fenômeno social e cultural muito forte. Com uma força motriz e de uma beleza explendida.
Explico: O carnaval é uma festa que nivela (na maioria das vezes) todas as pessoas, todos se tornam mais iguais no carnaval e, por consequência mais amigáveis, afáveis e amáveis. Sempre há bons encontros e experiências nos dias de folia.

E por entender o carnaval como um fenômeno social com suas características únicas, também acredito que há nele uma pedagogia própria, intrínseca. Esse fenômeno possibilita experiências, questionamentos, reflexões, entendimentos e aprendizagens das mais diversas.

Nesse sentido, o contato com o carnaval e suas possibilidades e subversões (fantasias, proximidade entre as pessoas, caminhar na rua ao invés da calçada, etc) desde a infância pode fazer diferença na relação das pessoas com a cidade e com este fenômeno cultural. E, na pior das hipóteses, pular carnaval quando criança pode nos fazer foliões(adultos) melhores.

Uma criança que participa de bons blocos ou festas de carnaval, pode perceber as possibilidades e limites das relações/brincadeiras que possam ser estabelecidas e das subversões que só essa festa permite, além de aprender a brincar com a criatividade e fantasia. Esse tipo de aprendizado fica registrado bem lá no fundo dos coraçõezinhos de maneira que, depois de anos quando requisitado, as atitudes e reações (principalmente carnavalescas) são pautadas nessa aprendizagem. E é possível que todos, principalmente as crianças, tenham experiências que possibilite o aprendizado da tolerância e respeito.

Para exemplificar podemos citar os homens que se transvestem de mulher sem o menor pudor e ficam (mesmo que momentaneamente) menos machistas, aceitando inclusive “brincadeiras” e elogios de estranhos que seriam imperdoáveis em outras circunstancias. Também ainda é possível perceber no carnaval de BH, principalmente em blocos menores, um maior respeito às mulheres e em alguns casos até uma certa proteção (o que deveria ser sempre).

Em Belo Horizonte atualmente há diversas opções de blocos infantis, pelo menos 1 por dia. O que muda são as características dos blocos, alguns são fechados, alguns andam outros ficam parados, alguns os pais fazem o carnaval, outros tem bandas, e por aí vai. Mas todos os blocos com suas diferentes características são bons pra levar a criançada, fantasiada! Geralmente os blocos infantis aparecem na programação oficial da Prefeitura.

A fantasia é outra coisa legal, porque assim como o carnaval não tem muita regra. A questão é a criança se divertir. Ela pode ir fantasiada de um personagem de desenho ou super herói que ela goste, uma profissão, um bicho, vale tudo. Muitas famílias vão fantasiadas em conjuntos, o mesmo tema pra pai, mãe e filhos. Já vi até dois piratas com um “papagaio de pirata” no colo. Nem sempre é necessário comprar fantasias (nunca comprei), muitas vezes o importante é a criatividade.

Porque to falando do carnaval? Porque eu acho essa festa do C@$&%*!

Minha experiência com o carnaval é longa. Meus pais sempre forão foliões desde os tempos de solteiros e não tenho lembrança de algum carnaval que eu (minha mãe) não me fantasiei.
Todo ano minha mãe e minhas tias combinavam a fantasia dos filhos, todos iguais. Um ano era pirata, no outro mágico, marinheiro, palhaço. E nos levavam fantasiados para as matinês carnavalescas nos clubes da cidade.

Quando já estava um pouco maior (8 anos) já tinha permissão de ir, rapidinho, em alguns blocos de rua e ficava encantado. Nos blocos todo mundo era feliz e amigos entre si, essa era minha percepção.
Depois dos 18 participei no início de alguns blocos, que foi o que realmente me chamou a atenção do carnaval como fenômeno cultural com poder de transformações.
E por gostar tanto do carnaval, quando resolvemos engravidar me surgiu uma dúvida e um medo: Como pularei o carnaval agora? Como pular o carnaval de BH com criança?
Daí surgiu a ideia de fazer o bloquinho!

Um bloco pros pais pularem o carnaval com seus filhotes, uma matinê, com todos fantasiados. Inicialmente queria que tivessem duas coisas: pais/mães tocando, e que tivessem muitas músicas do trem da alegria, balão mágico e todo saudosismo dos anos 80. Descobri que meu saudosismo tinha que ficar de fora porque nossos pequenos desconhecem a maioria das músicas. O Fato é que em 2014 estreou o Bloquinho do balão.

O Bloquinho é estacionário - por enquanto - , não anda, e se concentra na Praça Dr. Carlos Marques no Calafate, no dia 12/02, segunda de carnaval às 9h. Dá pra ir até de metrô!!!

A praça é grande e arborizada, tem um restaurante/bar de frente que ajuda a matar a sede e fome. Mas nos anos anteriores houve pais fazendo pic-nic na praça. Tocamos (pais, mães, ti@s) músicas infantis, principalmente Palavra cantada, cantigas de roda, brincadeiras cantadas, e algumas músicas infantis autorais. São Pedro sempre colabora e não chove, aí fica uma carnavalzinho bem gostoso.

Esse ano vamos ter três oficinas/ensaios, nos dias 20, 27 e 03.
Mais informações no facebook, CLIQUE AQUI Ó.

Então, vamos pular carnaval?


Felipe Cabral
Biólogo de formação, gestor de projetos, pai da Amora, marido da Rubya, entusiasta do carnaval e palpiteiro de plantão. Gestor de um grande projeto em constante construção, a paternidade!

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