sábado, 2 de dezembro de 2017

3 situações que um pai não deve achar normal

Se formos pensar em nossos pais e avós, muita coisa mudou quando se trata do papel do pai na família, mas com toda certeza, ainda estamos muito, mas muito longe do ideal.


Sendo pai de meninas já vivi várias situações no decorrer dos anos e tenho certeza que a maioria dos pais compartilham desses sentimentos de que a sociedade não está preparada para aceitar um pai que quer desempenhar seu papel. Tais situações sobrecarregam as mães, faz com que o papel de cuidar seja naturalizado sempre pelo lado materno.


Por isso, resolvi falar de três situações que me deixaram indignados como pai com situações que vivi nos últimos anos várias vezes.

1 - Banheiro feminino ou masculino?




Essa é uma dúvida cruel quando você é pai de menina e está num lugar onde a salvação dos banheiros família ainda não chegou.


O primeiro problema é que nós nunca paramos para raciocinar como deveria ser nosso comportamento numa situação dessas até que ocorra uma emergência e você tenha que sair correndo pro banheiro com sua filha. Ao se deparar com a entrada dos banheiro, parece que seu cérebro entra em curto e de repente você não sabe o que fazer tendo que escolher uma das duas portas com uma criança desesperada porque ela não vai aguentar mais meio milésimo de segundo esperando sua decisão que parece demorar uma eternidade na sua cabeça.


a) Entro no feminino e corro o risco de encontrar mulheres em situações um pouco descontraídas num local onde elas nunca esperam que um homem entraria?
b) Grito para as mulheres que estão no banheiro para levarem minha filha para dentro e ajudarem com a situação, correndo o risco de algo acontecer lá dentro e nunca saberei o que está havendo lá sabendo que sua filha está com uma estranha?  
c) Entro no masculino e penduro-a nos meus braços para não encostar no vaso pq o banheiro masculino é sempre nada higiênico?


Confesso que mesmo com esse conflito, sempre opto pela alternativa C, pois é o que tenho mais certeza de que terei controle da situação e o que a lei determina, quando estamos com uma pessoa dependente ela deve sempre entrar no banheiro do sexo do seu responsável.


#maisbanheirosfamiliaporfavor

2 - Professor(a), fala pra mim porque também sou tão responsável quanto a mãe




Nas primeiras vezes que fui buscar minha filha na escola não me incomodei muito porque tudo aquilo era novo, mas com o tempo comecei a me questionar porque a professora quando queria comunicar um ocorrido na escola, um machucado ou que ela não tinha comido direito, ela sempre usava a frase: "Olha pai, avisa pra mãe que...". Tenho certeza que quando a mãe ia buscar a professora não falava: "Olha mãe, avisa pro pai que...".


Acredito que nem passava pela cabeça das professoras que eu era o responsável por cuidar de assuntos referentes a machucados, tomar remédio na hora, dormir junto para acompanhar a febre, entrar na consultório do médico (esse do médico já é o próximo tópico).


Perdi as contas das vezes que tive que explicar que o recado estava dado para o também responsável pela minha filha, que apesar de dividir todos essas preocupações com a mãe, eu também era o responsável e ia tomar as medidas cabíveis.


O mesmo acontece com os recados na agenda e até mesmo nas reuniões escolares. É um longo caminho a se percorrer e se ficarmos calados, nada vai mudar. Vamos em frente.
O legal nesses casos é demonstrar que está preocupado com a situação e falar que vai cuidar de tudo da melhor forma possível porque penso que a professora do nossos filhos é a pessoa que passa uma grande parte do dia com nossos pequenos e um conflito não seria nada saudável.

3 - Doutor(a), não precisa mandar recado pra mãe, eu estou aqui!




Um momento marcante na vida de um filho é quando surgem as primeiras emergências, por uma infecção de ouvido, febres muito altas ou machucados mais graves. Você só quer que tudo fique bem e seu filho não sofra mais.


Ao entrar no consultório, normalmente o atendimento é muito frio e distante te deixando mais tenso ainda. Todo esse climão é o de menos quando o médico começa a te fazer perguntas que não são direcionadas para você e sim para a mãe que nem está ali. As perguntas são do tipo: "A mãe já deu banho e deu alguma medicação para abaixar a febre?".


Esse sentimento de que você está ali apenas para receber recados é muito ruim porque o momento não permite iniciarmos uma conversa de como me relaciono com minhas filhas e qual o meu papel e o papel da mãe na criação das crianças. A única coisa que você espera é que as coisas se resolvam e o médico faça o diagnóstico para sua filha começar a sair daquele estado.


Todas essas situações demonstram que a sociedade ainda nos vê, como quem está na terra apenas para trabalhar e pagar as contas.
Sei como todas essas situações só reforçam o peso e a pressão que as mães  sofrem no dia a dia pelo cuidado e criação dos filhos, jamais saberei o que é isso. Tudo a minha volta parece que me diz que tudo bem, que a responsabilidade é dela mesmo, eu poderia simplesmente cruzar os braços e me acomodar, não brigar, não explicar muitas vezes para a professora, para o médico, para a vizinha, para a mãe da coleguinha da minha filha.


Eu poderia simplesmente ir com a maré, mas eu sou pai e essa palavra carrega muito mais do que fazer filhos, ser pai é muito, muito mais que isso. É preciso sim estar disposto a dividir a carga mental que as mães são obrigadas a carregar todos os dias.

Cabê a nós buscarmos nosso espaço como pais que devemos e queremos ser com pequenas atitudes que plantem na sociedade sementes que valorizem mais nossas responsabilidades e abra mais espaço para que todos possam ser os pais que queremos e não o que a sociedade acha que devemos ser.

ADAYLON BORGES
Nascido em Brasília, casado e pai de duas meninas, é apaixonado pela família e por tecnologia. É um Nerd por profissão e procura utilizar as tecnologias de forma positiva para auxiliar na educação das filhas e para impactar pessoas no mundo. Acredita que ser a cara do pai é mais que parecer fisicamente, onde o mais importante são os valores passados e o amor transmitido.
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