sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pai nasce?

Todos já ouvimos: “A mãe nasce junto com o bebê!”.
E o pai? Nasce? Nasce quando?

A mãe pode até nascer junto com o bebê, mas o pai nasce beeem depois! Diria que muitas vezes o pai é “concebido” no nascimento do filho, e pode levar toda uma gestação (42 semanas) para efetivamente nascer o pai. E tal qual um bebê, esse pai não nasce totalmente pronto, acabado. Ele vai crescendo, amadurecendo e aprendendo aos poucos, acredito que uma vida inteira.

Acho que o intervalo entre minha “concepção” quanto pai e meu nascimento foi o de uma gestação normal. Fui concebido numa “pelada de quarta” cerca de um mês antes da chegada da minha pequenina e fui nascer, como pai, quando ela já tinha uns sete meses. Minha esposa já estava de oito meses de gestação, já tínhamos optado por tentar um parto  natural, possivelmente domiciliar, como foi, e em numa quarta-feira machuquei os dois joelhos numa dividida. Nada muito grave, mas o suficiente para despertar minha atenção para as mudanças que viriam, como por exemplo: “se eu me machucar sério, como eu vou acompanhar / participar no parto?”. Foi preciso este evento futebolístico para eu começar a realmente entender que haveriam mudanças. E olhe que minha esposa já tinha me inserido ao universo da maternidade / paternidade, com direito às rodas de gestantes (que recomendo).

O meu “nascimento” quanto pai é mais difícil de precisar (já não participava mais da pelada), mas acredito que se deu num momento que eu consegui perceber a complexidade que é o cuidado de uma criança, a referência e influência que sou para ela, e o pai que almejo ser. Foi um momento em que a duras penas, principalmente da minha esposa, comecei minimamente a ir além das fraldas, banhos, etc, e comecei a tentar participar mais do planejamento da casa, das rotinas diárias (compras, lavagem de roupas, etc).  Esse longo período foi necessário para eu ser mais que o Felipe, ser também o pai da Amora. Para eu entender que a vida como concebia antes tinha mudado efetivamente: as minhas prioridades,  minha relação com meus pais, amigos, esposa e com o mundo. Essa mudança não foi fácil e acredito que não seja fácil para ninguém pois a gente tem que se desapegar do que a gente foi, e essa é a parte difícil. Agente sente saudade de nós mesmos, do que fazíamos. Eu, por exemplo, sinto saudade do futebol, do trombone, de acordar domingo às 9h...


Acredito que cada pai tem seu tempo de gestação que vai depender muito de como cada um se entende no mundo e de como cada pai vai construir e conduzir sua paternidade. Da mesma maneira não acredito que tenha uma maneira mais acertada de ser pai. Toda forma de amor vale! E o que se tem ao final é a construção do que idealizamos no nosso imaginário do que é ser pai. Minha idealização de pai é de ser melhor que o meu pai foi e é pra mim (mesmo que isso seja difícil), porque acredito que estamos aqui para evoluir, sempre.

E você? Quanto tempo levou para nascer, pai?
Sejam bem vindos! Essa é a coluna Eu, pai.








Felipe Cabral
Biólogo de formação, gestor de projetos, pai da Amora, marido da Rubya, entusiasta do carnaval e palpiteiro de plantão. Gestor de um grande projeto em constante construção, a paternidade!

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