quinta-feira, 19 de julho de 2018

Ajudando em casa: para criar autonomia e responsabilidades



...e de repente, somos surpreendidos ao nos darmos conta de que nosso filho adolescente não tem o menor senso de organização e seria incapaz de se virar um dia que fosse sozinho. Vamos combinar que não precisamos chegar nesse ponto, não é mesmo?

Nós, que ainda temos crianças em casa, precisamos incutir desde cedo alguns valores em nossos pequenos que irão influenciar diretamente no adolescente e no adulto em que nossas crias se transformarão. Para ajuda-los a se transformarem em pessoas responsáveis e independentes, uma boa maneira é, desde cedo, incluí-los nas tarefas domésticas.

Naturalmente, estamos falando de atividades condizentes com a idade de cada criança e, muitas vezes, até mesmo simbólicas. Mas que façam com que nossos filhos se sintam úteis e seguros de si.

Uma dica que já reforcei em outros textos por aqui é executar o quarto da criança já imaginando sua autonomia naquele espaço. Uma cômoda com gavetas baixas, permite que o pequeno possa guardar suas próprias roupas limpas. Por outro lado um cesto – quem sabe como um tema divertido, como uma cesta de basquete – pode ser estimulante para que ele sempre saiba onde deixar a roupa suja. Nichos e caixas organizadoras também devem estar sempre ao alcance, para eles consigam guardar brinquedos e materiais escolares.

Mas as responsabilidades podem – e devem – se estender para fora do quarto também. Quando a criança ainda for bem pequena, é recomendável que ela tenha uma mesinha à sua altura para fazer as refeições. Assim, não apenas será estimulada a se alimentar sozinha, como também poderá retirar o próprio prato da mesa e até limpá-la depois de comer. Com muito cuidado e supervisão, a criança pode até ser incluída no ato da preparação da comida. Trata-se, inclusive, de uma ótima maneira de reforçar o contato com os alimentos saudáveis.

Por falar nisso, uma ideia que sempre aplico nos meus projetos e que pode ter a participação da criançada é a criação de uma hortinha em casa. Ter em casa hortaliças sempre frescas é uma delícia e você ainda pode contar com a ajuda do seu filhote na hora de irrigar as plantinhas.

Ensinar sua criança a cuidar de outra vida é um gesto de amor. Portanto, se tiver bichinho de estimação em casa, compartilhe também a tarefa de alimentá-lo e cuidá-lo.

Opções de tarefas é o que não faltam! Basta fazer alguns pequenos ajustes em casa para que as crianças se sintam capazes e cada vez mais estimuladas a ajudar!




FABIANA VISACRO
O interesse por pessoas levou Fabiana Visacro a se formar em psicologia. Seu interesse pela maneira como as pessoas vivem resultou em sua segunda graduação: o design de interiores. Foi assim, com o olhar totalmente voltado para o humano, que construiu uma carreira baseada na qualidade de vida e na relação das pessoas com suas moradas. Assim nasceu a linha de trabalho à qual Fabi chama de “Decoração Afetiva”, algo que se tornou ainda mais forte quando veio a experiência da maternidade. Hoje, Fabi concilia a carreira com uma vida gostosa na casa que ela mesma projetou, em Macacos, onde vive com o marido e as filhas, Gabi e Bebela.

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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Por que as mães empreendem?


Muito se tem romantizado em relação ao empreendedorismos materno. Por tanto canto que olhamos a imagem é sempre a mesma: uma mãe sentada em seu computador com uma caneca de café, vaso de flores ao lado, uma luminária, um chocalho e um ursinho para combinar com o bebê que está sentado no colo da mãe, que trabalha concentrada em seus afazeres. Para ficar ainda mais bonito, o bebê com uma mão segura o próprio pé e a outra ele coloca na boquinha, dando aquele sorriso gostoso. Que lindo, não?

Sinto em informar que a realidade não é nem perto disso. Nós acordamos cedo, cuidamos da casa, damos café da manha, preparamos o almoço, enviamos nossos filhos às pressas para a escola, trabalhamos como loucas pelo curto tempo que temos em um eterno pesar por ver nossa casa de penas para o ar, buscamos a cria, damos lanche, banho, cama com muito custo e voltamos ao trabalho que vai madrugada adentro. Assim é todos os dias! Todos! 

Quando nos atrevemos a fazer qualquer coisa relacionada ao trabalho quando os filhos ainda estão acordados ou em casa, temos que lutar muito pela concentração e o foco. A todo instante somos interrompidas, chamadas, persuadidas a deixar nosso posto. E deixamos. Temos que deixar. É uma briga aqui, o perigo de um copo quebrado acolá. É um "tô com fome" aqui, um "ele me bateu primeiro" acolá. Desenvolvemos estratégia sobre-humanas de digitar com uma mão só, se concentrar ao som de Galinha Pintadinha, fazer um excelente trabalho mesmo com tantos desafios, mesmo com jornada dupla, até tripla. Sim, nós somos incríveis! Mas não é esse trabalho bonito e simples que vendem. Não é nossa escolha ser assim "incríveis". Nos é imposto. Não há saída. 

Mães empreendem não porque gostam de passar por todos esses percalços. Mães empreendem porque lá fora há um mercado cruel que nos exige horário certo sem levar em conta nossa competência. Um mercado que nos obriga a deixar nossos filhos - junto com nossos corações - com 4 meses em creches para serem cuidados sabe-se lá por quem, que nos faz culpadas por isso, nos transforma em monstros "que só pensam na carreira", ignoram nosso direito de amamentar nos obrigando a tirar leite escondidas no banheiro e aquele peito doendo cheio é só para lembrar da cria tão longe que deve estar chorando querendo mamar. Dá vontade de chorar também. 

Depois de tanto lutar, decidimos embarcar nesse caminho incerto do empreendedorismo, muitas vezes iludidas por aquela imagem que citei no inicio do texto. Algumas nem fazem a escolha de "jogar a toalha". São tocadas da empresa, demitidas sem um pingo de humanidade. Às que não podem, não consegue ou não querem empreender, resta correr atrás de um novo emprego. "Mocamos" o filho. Dizemos que temos toda a disponibilidade de horário do mundo. Tentamos conquistar por nossa competência, mas o que vale é se temos ou não filhos e onde iremos deixá-los, como se fôssemos largá-los em casa com um miojo para o almoço, como se fôssemos levá-los para o trabalho. fôssemos loucas ou fosse da conta de alguém como criamos e com quem deixamos nossos filhos. As portas estão fechadas e não resta muito a escolher. Só seguir a correnteza e cuida dar cria da melhor forma que conseguirmos. 

Somos julgadas por todas decisões que tomamos, como se tudo isso fosse fácil. Como se fosse uma escolha. Não é. Tudo isso é muito injusto. As escolhas que fazemos são por nosso filhos, por querer que eles sejam felizes, por querer fazer parte dessa felicidade. E nesta balança, meu amigo, pode-se colocar o universo inteiro do outro lado que a escolha é sempre a mesma e continuará sendo.
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sábado, 7 de julho de 2018

A Força de Pai



As tardes de sexta feira são sempre complicadas. Todos aqueles itens perdidos do “checklist” da semana são soprados para a tarde de sexta. Mas como a visita era desse amigo em especial, abri uma exceção e dediquei uma hora de ócio a conversar sobre o passado. Já na casa dos sessenta, esse colega de profissão já viu um bocado e viveu outro. Aquele dia ele preencheu nossa hora de papo falando de sua primeira infância, por acaso vivida na mesma vizinhança em que vivi a minha. Não se fala sobre esse assunto impunemente e ao cavar entre as camadas de emoções antigas, sedimentadas sobre cada lembrança, são comuns os olhos úmidos. Ele falou sobre seu pai, principalmente. Falou com gravidade, como quem admira verdadeiramente o esforço de alguém e reconhece o valor do amor recebido, um amor indissociável da luta.

Ora, eu estava me preparando pra gravar, pela primeira vez, para um “Podcast”: O “Força de Pai”. Logo, estava imerso há alguns dias no tema, no qual exploraríamos as dificuldades de se educar um filho nos dias de hoje. Um gago, que acabou de instalar um aparelho ortodôntico, pai de primeira viajem, ousaria falar em um microfone, sobre um tema do qual sabe tão pouco. Essa hora de conversa com meu velho amigo, portanto, veio bem a calhar. Eu precisava de um épico assim para tirar a neblina da auto importância, com um belo “splash” de humildade. Quem sou eu para falar de dificuldades? O que consigo enxergar em meio à minha longa lista de privilégios? Como rotular um mundo inteiro, se conheço pouco ou nada de tantas realidades alheias?

Trabalhar na construção civil me fez viajar. E viajando, vi o “mundo” de longe através da velocidade com que passa a beira da estrada. Muitas realidades. A realidade de quem tem tudo e a realidade de quem não tem nada. Passo naquela já tão familiar estradinha, lá no semiárido brasileiro e percebo que surgiu mais um acampamento daqueles que não têm nada. No entanto, eu vejo muito mais do que via há tão pouco tempo atrás, porque hoje eu tenho olhos de um pai.Não consigo evitar imaginar-me com meu filho no colo, dentro de um daqueles barracos de dez metros quadrados, feitos de nada além de rejeitos e sujeira, sentindo o peso do mundo em meus ombros. Como pensar no futuro, quando o próprio presente é um desafio impossível e você nada mais é que uma folhinha ao vento, rolando pelo chão seco? Mas ao final daquela estradinha, eu não estou sob uma daquelas lonas. Eu apenas escolho o ponto do meu filet, já tendo esquecido as imagens da viajem pregressa. Tenho todo o direito de olhar, sim, para as minhas dificuldades. Mas o respeito para com o próximo exige de mim, no mínimo, a solenidade de admitir as farturas da minha vida, principalmente da minha paternidade.

Minha paternidade, em tudo que tem de bom, é apenas o resultado do esforço e do amor de muitos que vieram antes de mim, de outros que seguraram a minha mão ao longo do caminho e de muita, muita sorte. Pouco ou quase nada é produto ou mérito meu. Os meus foram daqueles pais que se doaram inteiramente para os filhos, física e emocionalmente. Que atropelaram as adversidades com a única motivação de me ver chegar do outro lado. Além disso, tenho a sorte de ainda tê-los comigo e ter recebido dois irmãos incríveis, como um bônus. Meus professores e mentores me apresentaram a um caminho e a um jeito de caminhar que me levaram mais adiante, para além da órbita que prende a tantos de nós, filhos da periferia. E eu tive a sorte de encontrar justamente essas pessoas altruístas e competentes que viram em mim algo que eu mesmo não via. Meus tantos amigos sempre foram como uma grande cooperativa de carinho e apoio, uma junta de especialistas unidos para fazer a vida mais fácil de viver. E tenho a sorte absurda de eles sempre perdoarem as múltiplas demonstrações de que eu nunca os mereci. A pessoa que topou me transformar em pai, de tantas formas diferentes, soube abrir pra mim todas as portas, tem paciência com minhas falhas, incentiva meu esforço e segura minha mão quando eu escorrego. E tenho a sorte sobrenatural de ainda ter o amor dela e de poder fugir todo dia para o abrigo do seu abraço.

Então, porque ter medo se tenho o topo de uma montanha? Porque me sentir cansado, se tenho a maior das alavancas? Porque ficar triste se tenho a musica mais alegre? Todo o esforço que eu emprego no objetivo de ser Pai, de repente ficou pequeno, quando eu o comparo com a somatória das doações de tanta gente em cujos ombros eu me sustento. E fica ainda mais insignificante, quando me lembro do esforço enorme daqueles que não têm nada e mesmo assim conseguiram, já que correndo entre aqueles barracos de lona, lá na beira da estradinha, as crianças que vejo estão sempre sorrindo. O preço que os pais pagaram por aqueles sorrisos todos é um valor que talvez eu jamais conheça.

Meu amigo, somos todos apenas humanos, pobres criaturas tão atormentadas pela dúvida e tão temerosas do novo. Estamos à mercê do pessimismo. Então, a alegria da chegada de um filho pode ser facilmente turvada pela densa viscosidade das preocupações, caso comecemos a listar mentalmente nossas fraquezas, subestimando demais as nossas forças. É comum perder a dimensão do que é suficiente e, principalmente, do que é mais que suficiente. É sedutora a entrega à auto piedade, já que ela oferece uma cama quente, onde você é a maior das importâncias e merece, portanto, todo o perdão. Eu mesmo já experimentei esse esconderijo e, de vez em quando, dou minha passadinha por lá. Por isso, sei o grande desperdício que é. A força de um pai, às vezes é apenas uma questão de se reconhecer forte. E, acredite, nenhum homem é mais forte que um Pai.

Para o Filipe, caso positivo, caso não.


CARLOS RESENDE
Engenheiro, tecnologista de materiais para construção, sou marido da Josy, padrasto do Bruno e Pai do Heitor. Todas estas funções me pegaram de surpresa e tive que me virar para fazer jus a cada uma delas. Principalmente esta última. Cara! Como é difícil esse negócio de ser Pai! Não posso dizer que não sabia, mas posso dizer que tem muita coisa que ainda não sei sobre isso. Mas eu vou acabar aprendendo, uma por uma, todas as manhas dessa profissão / sacerdócio / vício / pesada... E aí conto elas aqui. Por falar nisso, que legal esse espaço, não é? Finalmente um lugar para os Papais, entre tantos lugares para as Mamães. A gente se vê por aí!

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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Guardei o amor na carteira


Dias comuns são os mais surpreendentes, tenha a certeza.

Dias que passamos deitadas olhando o tédio caminhar bem na sua frente, - porque sim, ainda usufruo de dias com tédio mesmo com 3 crianças e um baby na barriga - podem acabar nos arrancando suspiros de agradecimento e felicidade.

Deitada, sentindo o bebê mexer, meu "tédio" favorito ultimamente, chega na beirada da cama, um certo menino magrelinho com cabelo enorme que já deveria ter sido cortado, eu sei. Trás debaixo do braço um lancheira térmica que ele transformara em "mochila de trabalho". Ele quer ser como eu e o pai somos, ainda admira cada detalhe nosso, coisa que aos poucos vai escasseando, até chegar à adolescência quando, imagino eu, não serviremos para nada, pelo menos aos olhos deles. 
Chega de mansinho, mostra o celular inventado com bloquinhos de madeira, a carteira com dinheirinho de mentira. Coloca um fone que já está quebrado no ouvido, dá um beijo doce e avisa que está indo trabalhar. Finge abrir a porta de um carro de mentira, manobra dentro do quarto, bem em frente a minha cama, tomando todo o cuidado para não trombar em nada e sai acenando para mim.

Dia desses, ao me ver cuidado da irmã, disse:

- Quando eu crescer serei um bom pai, mamãe.
- Eu sei, meu filho.  - E sei mesmo! Tenho certeza disso.

Já até adotou uma bonequinha que era da Luiza! Anda com ela para todo lado. Arrumou uma bolsa, carteira velha e encheu de cartões e moedinhas que ele catou por aí. Está brincando de ser pai. Em um dos bolsos da carteira, encontrou um coração de papel, guardou com todo zelo e cuidado.

- O que é isso, Bernardo?
- É o meu coração, mamãe. Vou dar ao meu amor!
- E quem é seu amor. - Pergunto esperando que a resposta fosse eu.
Que nada!
- Meu amor morreu, mamãe.
Acabo de descobrir que meu filho é viúvo! Coitado, tão novo...
Seguro o riso para não ofender. Vai saber...
- Aí eu vou guardar meu coração aqui - disse guardando no bolso da carteira - e esperar para dar meu coração para alguém. - Disse enquanto saia para levar sua filha ao cinema, que no caso é a sala onde passa desenho animado na TV.

Deixou-me aqui abandonada, encafifada, nostálgica e confesso, um pouco confusa sem entender até onde vai minha própria inocência a maturidade dele. 
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terça-feira, 12 de junho de 2018

Era para ser uma declaração de amor

A bolsa estourou. A calma enfim me invadiu. Era chegada a hora. A hora que eu tanto esperava.

A  chegada de um filho é ao mesmo tempo desesperadora e ansiosamente aguardada. Estava calma para te acalmar. Disse que ficaria bem porque sabia que era este teu medo. Pela primeira vez na vida, depois de quatro gestações e um aborto você não poderia ficar ao meu lado, segurar minha mão, fazer piadinhas com os médicos enquanto faziam o parto, ouvir o chorinho e carregar no colo antes de mim. Pela primeira vez, você não conseguiria se apresentar:

- Oi, é o papai! - Como você sempre fez. 

E não seria dos seus braços que eu pegaria nosso filho pela primeira vez. Os apelidos ridículos que você inventa eu só ouviria bem mais tarde. E riria secretamente, depois de brigar contigo, é claro. Essa minha braveza te mata de amor, não é mesmo? Não diga que não! 

Naquele dia eu desejei te ter por perto, senti falta das suas mãos nos meus cabelos, massageando minhas costas, dizendo que estava linda, mesmo com os quilinhos a mais que você insiste em não ver. 

Ali sozinha na sala de espera, todos olhavam para mim. Deviam se perguntar porque eu estava sozinha, onde estaria quem me amasse. A ajuda estava a caminho, mas os seus braços eu não pude ter para me esconder, apartar um pouco da dor, de todas as dores. Você sempre consegue apartar...

Prometa-me nunca mais ir embora, ok? Prometa-me estar por perto, sempre por perto! Nem ouse furar sua promessa! 

Não esqueça dessa minha braveza. Ela te mata de amor, sim, porém posso te matar literalmente, viu?
E isso era para ser uma declaração de amor! 
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